O Reino de Cuche - o Estado africano mais importante da Antiguidade depois do Egito - surgiu nas terras altas da Núbia (hoje sudão) e adquiriu tanto poder que dominou o Antigo Egito por mais de 100 anos.
Aproximadamente a partir do ano 2000, o reino foi em grande parte dominado pelo Egito, o vizinho do Nordeste, o que não impediu os cuchitas de desenvolver uma cultura rica e própria. Por volta do ano 1000, com o enfraquecimento da influência egípcia, os governantes cuchitas conseguiram uma nova independência nominal, e por volta de 800 surgiu um novo Reino de Cuche, com capital em Napata. Em 715, os cuchitas, sob liderança dos reis Piye e Shabaka (Sabá), conquistaram o Egito e derrubaram a dinastia egípcia reinante. Até 654 eles governaram o país como faraós, possivelmente a partir de Mênfis, sua nova capital. Então, uma invasão assíria lhes forçou a retirada para Cuche.
A civilização cuchita, entretanto, continuou a prosperar. Por volta de 591, a capital do país foi transferida para a cidade de Meroé, ao sul. Localizada na margem leste do Nilo e próxima ao mar Vermelho, a capital se tornou um centro de comércio - com destaque para os artigos de luxo produzidos localmente, confeccionados em ébano, ouro e marfim - e uma grande cidade, com templos e palácios. Meroé dispunha de ricos suprimentos de minério de ferro e madeira, o que propiciou o surgimento de uma das mais antigas indústrias de fundição de ferro da África. Os cuchitas estão também entre os primeiros povos a desenvolver uma escrita alfabética (ainda não decifrada).
No século III a.C., a civilização cuchita começou a declinar, provavelmente porque os recursos naturais se exauriam e ele perdeu postos de comércio no mar Vermelho para Axum, um reino vizinho (que em 350 d.C. acabou invadindo Cuche e destruindo Meroé).

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